
Bahia Cuida!
O cuidado atravessa nossas vidas todos os dias — cuidamos de alguém, de nós mesmas, das nossas casas, famílias e comunidades. Apesar disso, esse trabalho essencial continua invisível e desvalorizado. O Bahia Cuida nasce para trazer o cuidado ao centro do debate público, tornando visível a crise que vivemos e fortalecendo o compromisso coletivo com quem cuida e é cuidado.
Aqui, você encontra dados, mapas e materiais que revelam a realidade do cuidado na Bahia e inspiram políticas, práticas e ações para transformar essa pauta em uma responsabilidade compartilhada entre pessoas, setores e governos.
Para compartilhar essa história, vamos contar com a ajuda de duas mulheres que cuidam: Ana e Eugênia.
Te convidamos a navegar por essa narrativa e a se engajar na luta por uma sociedade que reconheça, reduza, redistribua, represente e remunere o trabalho de cuidado.
Ana é uma mulher baiana. Ela é casada e acabou de se tornar mãe de sua primeira filha. Ana faz todas as atividades domésticas da casa sem receber dinheiro e sem receber reconhecimento.
Ana tem que cuidar de sua bebê de 6 meses e cuidar da sua mãe idosa. Além disso, Ana tem que cuidar da casa.
Ana é quem realiza quase todos os afazeres domésticos, e o seu marido não faz nem metade das tarefas que Ana faz.
Por conta da sobrecarga dos trabalhos dos cuidados, Ana precisou deixar o seu emprego formal, pois não consegue cumprir todos os horários exigidos.
Ana não consegue deixar a sua bebê na creche do bairro pois não há vagas.
Ana também cuida da sua mãe idosa, que tem uma dependência moderada e precisa de cuidados constantes.
Além de todos os impactos, a carga dos trabalhos dos cuidados também afeta a saúde de Ana, que não tem tempo para cuidar de si mesma. Ana não tem tempo de fazer atividade física, cuidar da sua alimentação, fazer seus exames e cuidar da sua saúde. Seu autocuidado fica sempre em segundo plano.
Ana não possui dinheiro para pagar uma babá ou uma diarista para auxiliar nas tarefas da casa. Quando precisa, deixa o filho com uma vizinha, que cuida das crianças da comunidade.
Quando não consegue cuidar da sua mãe, Ana conta com a ajuda de sua irmã, Eugênia, que é diarista.
Eugênia é uma mulher negra de 28 anos, que sonha em ser advogada e sempre trabalhou como diarista.
Assim como a maioria das diaristas, Eugênia recebe por hora um valor que não é suficiente para construir seu projeto de vida ou sonhar com uma realidade diferente da que vive hoje.
Eugênia tem um vínculo de trabalho frágil e precário, sem registro em carteira.
Com sua renda atual, Eugênia não consegue contribuir com a previdência, e por isso não tem acesso a benefícios mínimos que deveriam ser seus por direito enquanto trabalhadora brasileira.
Eugênia tem um marido, que está desempregado. Mas, ainda assim, é ela quem faz a maioria dos trabalhos domésticos na sua casa.
A família com quem trabalha possui uma criança com deficiência visual. Na prática, além de cuidar da casa, Eugênia precisa cuidar da criança. Por isso, ela trabalha muito mais do que o permitido por lei, por vezes dormindo no local de trabalho.
Tanto na Bahia quanto no restante do Brasil, os trabalhos dos cuidados remunerados e não remunerados são realizados, na sua esmagadora maioria, por muitas Anas e Eugênias: mulheres negras e pobres.

cuidadoras invisibilizadas...



Cuidado é uma necessidade de todas as pessoas:
Ao longo da vida, todas nós precisamos de cuidados — em diferentes formas e intensidades. Somos mais vulneráveis na infância e na velhice, fases em que essa necessidade se torna mais evidente. Mas, para além do ciclo da vida, há também fatores que aumentam essa demanda, como deficiências, enfermidades ou condições sociais que limitam o acesso à autonomia e ao bem-estar. Como destaca Helena Hirata (2022), a pandemia de COVID-19 tornou visível a “vulnerabilidade constitutiva do ser humano” — lembrando-nos de que o cuidado não é exceção, mas parte essencial da nossa condição e da interdependência que nos define.



Cuidado deve ser um bem público coletivo











Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - último semestre de 2024


