Fotografia de uma mulher negra com roupa e turbante estampados em preto e branco, em destaque no centro, tocando levemente a cabeça com as mãos. Atrás dela há formas coloridas em roxo, laranja e verde e palavras sobrepostas em estilo manuscrito, incluindo ‘tarefas domésticas’, ‘remunerar’, ‘reconhecer’, ‘auto cuidado’ e ‘PCD’. Um recorte verde ao lado traz a frase ‘Quem cuida de quem cuida?’. A composição tem tom reflexivo e aborda temas de cuidado e reconhecimento do trabalho de quem cuida.

Bahia Cuida!

O cuidado atravessa nossas vidas todos os dias — cuidamos de alguém, de nós mesmas, das nossas casas, famílias e comunidades. Apesar disso, esse trabalho essencial continua invisível e desvalorizado. O Bahia Cuida nasce para trazer o cuidado ao centro do debate público, tornando visível a crise que vivemos e fortalecendo o compromisso coletivo com quem cuida e é cuidado.

Aqui, você encontra dados, mapas e materiais que revelam a realidade do cuidado na Bahia e inspiram políticas, práticas e ações para transformar essa pauta em uma responsabilidade compartilhada entre pessoas, setores e governos.

Ilustração de Ana, uma mulher negra e jovem, carregando uma bebê que chora, em frente a uma casa identificada como ‘Creche’. A mulher parece preocupada enquanto segura a criança nos braços.
Conheça quem cuida na Bahia

Para compartilhar essa história, vamos contar com a ajuda de duas mulheres que cuidam: Ana e Eugênia.

Te convidamos a navegar por essa narrativa e a se engajar na luta por uma sociedade que reconheça, reduza, redistribua, represente e remunere o trabalho de cuidado.

Ilustração Ana cortando legumes em uma cozinha, com expressão cansada. Ao fundo, há um relógio e um berço. Um balão de pensamento mostra o rosto sorridente de um homem, sugerindo que ela está pensando nele chateada enquanto realiza a tarefa doméstica.

Ana é uma mulher baiana. Ela é casada e acabou de se tornar mãe de sua primeira filha. Ana faz todas as atividades domésticas da casa sem receber dinheiro e sem receber reconhecimento.

No estado da Bahia, o perfil da maioria das pessoas que realizam o trabalho não remunerado é:
mulheres, negras,
de 25 a 49 anos
Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual 2022, tambem pode abreviar para PNADC/A - 2022
Ilustração Ana cuidando de uma pessoa idosa de sua família, servindo-lhe um prato de comida. Ao fundo, há um berço no qual há uma criança chorando. Ana está com uma expressão de cansaço, sobrecarregada das diversas tarefas que precisa realizar simultaneamente.

Ana tem que cuidar de sua bebê de 6 meses e cuidar da sua mãe idosa. Além disso, Ana tem que cuidar da casa.

Você sabia que esse "cuidar" realizado pela Ana é, na verdade, um trabalho?

Os "trabalhos dos cuidados" são uma realidade na vida de quase todas as pessoas, mas que tem um peso maior na vida das mulheres (especialmente das mulheres negras e das mulheres pobres), já que são as mais afetadas por exercerem esses trabalhos invisibilizados na sociedade.

Os chamados “trabalhos dos cuidados” são:

Trabalho de cuidados de pessoas
+
Tarefas domésticas

Você sabe dizer quais são os trabalhos dos cuidados mais realizados?

Trabalho de cuidados de pessoas
Veja as atividades de cuidados de pessoas mais realizadas na Bahia e por quantos milhões de pessoas.
Gráfico “Atividades de cuidados de pessoas mais realizadas na Bahia e por quantos milhões de pessoas” de barras horizontais laranjas. Em primeiro lugar e com maior recorrência, temos a atividade “Monitorar ou fazer companhia dentro do domicílio”, executada por 2,9 milhões de pessoas. Em seguida, temos a atividade “auxiliar nos cuidados pessoais”, executada por 2,6 milhões de pessoas. Depois, temos “Ler, jogar ou brincar”, atividade executada por 2,4 milhões de pessoas. “Auxiliar nas atividades educacionais” ocupa a quarta posição, com 2,1 milhões de pessoas executando-a. Por fim, e ocupando o quinto lugar de atividade de cuidado de pessoas mais realizada na Bahia, temos “transportar ou acompanhar (na escola, médico, exames, parque, praça, atividades sociais, culturais…)”, executada por 2,1 milhões de pessoas.
Tarefas domésticas
Ao lado, veja as tarefas domésticas mais realizadas na Bahia e por quantos milhões de pessoas.
Gráfico “Tarefas domésticas mais realizadas na Bahia e por quantos milhões de pessoas” de barras horizontais verdes. Em primeiro lugar e com maior recorrência, temos a atividade “Preparar ou servir alimentos, arrumar a mesa ou lavar a louça ”, executada por 8 milhões de pessoas. Em seguida, temos a atividade “Limpar ou arrumar domicílio, garagem, quintal ou jardim”, executada por 7,9 milhões de pessoas. Depois, temos “Cuidar da limpeza ou manutenção de roupas e sapatos”, atividade executada por 7,8 milhões de pessoas. “Cuidar da organização do domicílio (pagar contas, contratar serviços, orientar empregados, etc.” ocupa a quarta posição, com 7 milhões de pessoas executando-a. Em seguida, temos a atividade “Cuidar de animais domésticos”, executada por 4,5 milhões de pessoas. Por fim, e ocupando o sexto lugar de atividade doméstica mais realizada na Bahia, temos “Fazer pequenos reparos e manutenção (do domicílio, automóvel, eletrodoméstico ou outros equipamentos)”, executada por 3,8 milhões de pessoas.
Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual - 5a visita - 2022.
Ilustração de Ana limpando um pequeno móvel com pano e spray, enquanto seu marido sentado no sofá, ao fundo, assiste televisão. Ana parece cansada e contrariada, porque só ela trabalha na casa enquanto ele tem um momento de lazer.

Ana é quem realiza quase todos os afazeres domésticos, e o seu marido não faz nem metade das tarefas que Ana faz.

Na Bahia, as mulheres gastam
mais do que o dobro de horas
do que os homens em tarefas domésticas e de cuidado de pessoas.

Gráfico de barras verticais mostrando o tempo semanal dedicado às tarefas domésticas por gênero no ano de 2022. A barra roxa, representando as mulheres, indica 23,1 horas por semana. A barra laranja, representando os homens, indica 10,9 horas por semana.Fonte: IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual - 5ª visita - 2022.
Ilustração de Ana em pé, cercada por itens de limpeza e brinquedos espalhados. Ela segura a cabeça com uma das mãos e olha para o relógio no pulso, sugerindo sobrecarga de tarefas.

Por conta da sobrecarga dos trabalhos dos cuidados, Ana precisou deixar o seu emprego formal, pois não consegue cumprir todos os horários exigidos.

Na Bahia, o 2º maior motivo para mulheres não procurarem emprego é cuidar dos afazeres domésticos e de seus filhos.

Gráfico de barras horizontais “Motivos que levaram as pessoas a não procurarem emprego” por gênero. Em roxo, na lista de motivos que levaram mulheres a não buscarem emprego temos, em ordem de maior relevância: “Não havia trabalho na localidade”; “Tinha que cuidar de alguém ou dos afazeres domésticos”, em destaque, com 196 mil mulheres; e “Por problemas de saúde ou gravidez”. Em laranja, na lista de motivos que levaram homens a não buscarem emprego temos, em ordem de maior relevância: “Não havia trabalho na localidade”, “Por problema de saúde”, “estava estudando”.
Fonte: DataCuidados - Observatório Nacional dos Cuidados, Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Escola Nacional de Administração Pública (ENAP); Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); com dados de IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual - 5ª visita - 2022.
Ilustração de Ana carregando sua bebê que chora, em frente a uma casa identificada como ‘Creche’. A mulher parece preocupada enquanto segura a criança nos braços.

Ana não consegue deixar a sua bebê na creche do bairro pois não há vagas.

Na Bahia, 7 em cada 10 crianças não estavam matriculadas em creches*

*Crianças entre zero e três anos de idade. Dados de 2024.Fonte: Observatório da Criança e do Adolescente - Fundação Abrinq; com dados de Fonte: Ministério da Educação (MEC)/Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep)/Diretoria de Estatísticas Educacionais (Deed).
Pictograma mostrando a porcentagem de matrículas em creches em 2024: ícones laranja representam 70,5% das crianças não matriculadas e ícones verdes representam 29,5% matriculadas.
Ilustração de Ana ajudando sua mãe, uma mulher idosa, negra e de bengala, a vestir um casaco. As duas estão em um ambiente interno decorado com um quadro e elementos coloridos ao fundo.

Ana também cuida da sua mãe idosa, que tem uma dependência moderada e precisa de cuidados constantes.

O cuidado das pessoas idosas

A população baiana envelheceu, mas esse processo não aconteceu da mesma forma para todos. As mulheres estão vivendo mais do que os homens e, como são as mulheres que cuidam mais das outras pessoas, elas continuam cuidando por mais tempo.

Isso significa que muitas mulheres idosas, que deveriam estar sendo cuidadas, continuam sendo as cuidadoras de pessoas ainda mais velhas.

Isso significa que muitas mulheres idosas, que deveriam estar sendo cuidadas, continuam sendo as cuidadoras de pessoas ainda mais velhas.

Pirâmide etária comparando a população baiana entre 2013 e 2023. À esquerda estão as barras referentes às mulheres, na cor lilás representando 2013 e a cor roxa representando 2023. À direita estão as barras dos homens, com a cor bege representando 2013 e a cor laranja representando 2023. Cada barra indica a quantidade de pessoas em milhares distribuídas por faixas etárias, de 0 a 4 anos até 80 anos ou mais. O gráfico mostra que o envelhecimento populacional é mais acentuado entre as mulheres.
Fonte: IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, acumulado de primeiras visitas, exceto 2020-2021, acumulado de quintas visitas, devido à pandemia de Covid-19.

Essa realidade é também resultado da ausência do Estado. Na Bahia, são mais de 2 milhões de pessoas idosas, mas apenas 182 Instituições públicas de Longa Permanência.

Quando o Estado não assume sua parte nos cuidados, ele transfere a responsabilidade para as famílias, sobrecarregando ainda mais as mulheres.
Ilustração de Ana com olhos fechados e mãos abertas. Ao fundo aparecem elementos simbólicos, como um relógio, um haltere, um frasco de remédio e um ícone de batimentos cardíacos. A expressão de chateação sugere que ela não está conseguindo executar rotinas de autocuidado por falta de tempo, por estar sobrecarregada com atividades de cuidado de outras pessoas e atividades domésticas.

Além de todos os impactos, a carga dos trabalhos dos cuidados também afeta a saúde de Ana, que não tem tempo para cuidar de si mesma. Ana não tem tempo de fazer atividade física, cuidar da sua alimentação, fazer seus exames e cuidar da sua saúde. Seu autocuidado fica sempre em segundo plano.

Ilustração de Ana caminhando em uma rua com casas simples ao fundo, carregando sua bebê no colo. A bebê usa chupeta e a mulher parece cansada e preocupada enquanto olha seu relógio de pulso. Elementos gráficos coloridos decoram o fundo.

Ana não possui dinheiro para pagar uma babá ou uma diarista para auxiliar nas tarefas da casa. Quando precisa, deixa o filho com uma vizinha, que cuida das crianças da comunidade.

No Brasil, quanto menor a renda da mulher, maior é o tempo dedicado aos trabalhos domésticos e de cuidados de pessoas.

Gráfico de barras horizontais que compara as horas semanais trabalhadas por mulheres e homens em tarefas domésticas e atividade de cuidado de outras pessoas, distribuídas por faixas de renda. As barras roxas representam as mulheres e as barras laranja representam os homens. Em todas as faixas de renda (de ‘Até 1/4 de salário mínimo’ até ‘Mais de 8 salários mínimos’), as mulheres dedicam mais horas de trabalho doméstico do que os homens, chegando a mais de 20 horas semanais nas faixas de menor renda.

É por isso que o cuidado comunitário em locais vulneráveis, onde as mulheres possuem os menores salários, por vezes se torna uma solução para que mães possam trabalhar e organizar outras tarefas cotidianas.

Fonte: DataCuidados - Observatório Nacional dos Cuidados, Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Escola Nacional de Administração Pública (ENAP); Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); com dados de IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual - 5ª visita - 2022.
Ilustração de duas mulheres negras e jovens, Eugênia e Ana, apoiando sua mãe idosa que usa bengala. As três estão de pé, próximas umas das outras, e há elementos decorativos coloridos e quadros ao fundo. As expressões das duas jovens são de preocupação e cansaço.

Quando não consegue cuidar da sua mãe, Ana conta com a ajuda de sua irmã, Eugênia, que é diarista.

Ilustração de Eugênia, uma jovem mulher negra, passando roupa com expressão frustrada. Um balão de pensamento mostra um diploma com selo, sugerindo que ela pensa no diploma que não conseguiu obter devido à sobrecarga com atividades de cuidados. Elementos coloridos decoram o fundo

Eugênia é uma mulher negra de 28 anos, que sonha em ser advogada e sempre trabalhou como diarista.

Na Bahia, as mulheres negras representam 58,2% das pessoas trabalhadoras dos cuidados remunerados.

Gráfico de barras empilhadas mostrando a composição de trabalhadores dos cuidados remunerados na Bahia. A maior parte é representada pela faixa roxa, referente a mulheres negras, que correspondem a 58,2% do total. A faixa laranja representa homens negros (27,3%), a faixa lilás representa mulheres brancas (10,1%) e a faixa bege representa homens brancos (4,4%). O destaque visual evidencia que mulheres negras são maioria nesse setor.
Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - último semestre de 2024

Para definir as profissões dos cuidados remuneradas, o Bahia Cuida se embasou no trabalho de Guimarães e Pinheiro (2023), considerando as ocupações com interação direta e indireta e de forma recorrente e dependente. São elas: 1) profissionais de enfermagem; 2) professores do ensino pré-escolar; 3) educadores para necessidades especiais; 4) profissionais de nível médio de enfermagem; 5) chefes de cozinha, 6) cozinheiros, 7) governantas e mordomos domésticos; 8) acompanhantes e criados particulares; 9) cuidadores de crianças; 10) ajudantes de professores; 11) trabalhadores de cuidados pessoais em instituições; 12) trabalhadores de cuidados pessoais a domicílios; 13) trabalhadores de cuidados pessoais nos serviços de saúde não classificados anteriormente; 14) guardas de segurança; 15) agricultores e trabalhadores qualificados no cultivo de hortas, viveiros e jardins; 16) condutores de automóveis, taxis e caminhonetes; 17) trabalhadores dos serviços domésticos em geral; 18) outros trabalhadores de limpeza; 19) trabalhadores elementares da jardinagem e horticultura; e 10) ajudantes de cozinha.

Ilustração de Eugênia com expressão triste segurando uma carteira vazia, da qual saem apenas duas moedas. Uma mosquinha voa ao redor, simbolizando escassez e dificuldade financeira. Elementos coloridos decoram o fundo.

Assim como a maioria das diaristas, Eugênia recebe por hora um valor que não é suficiente para construir seu projeto de vida ou sonhar com uma realidade diferente da que vive hoje.

Na Bahia, 73,2% das trabalhadoras dos cuidados recebem até 1 salário mínimo.

Em 2024, o salário mínimo estava estabelecido em R$ 1.412.
Gráfico de pizza que mostra a faixa salarial das trabalhadoras dos cuidados. A maior fatia, em laranja, representa 73,2% das trabalhadoras que recebem até 1 salário mínimo. A fatia verde representa 17,5% que recebem entre 1 e 2 salários mínimos. A menor fatia, em azul, representa 9,3% que recebem acima de 2 salários mínimos.
Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - último semestre de 2024
Ilustração de Eugênia com expressão de preocupação, segurando a cabeça com as mãos. Ao fundo aparece uma grande carteira de trabalho azul, simbolizando dificuldades e insegurança em relação ao trabalho. Elementos coloridos decoram o fundo.

Eugênia tem um vínculo de trabalho frágil e precário, sem registro em carteira.

No Brasil, 7 em cada 10 trabalhadoras dos cuidados não possuem carteira assinada.

Pictograma mostrando a porcentagem de profissionais dos cuidados com carteira assinada. Três figuras na cor roxa representam 30% das trabalhadoras com carteira assinada. Sete figuras na cor laranja representam 70% que não têm carteira assinada.
Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - último semestre de 2024
Entre as cuidadoras, as diaristas são as mais precarizadas:
9 em cada 10 não tem vínculo empregatício.
Fonte: DataCuidados - Observatório Nacional dos Cuidados, Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Escola Nacional de Administração Pública (ENAP); Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); com dados de IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual - 5ª visita - 2022.
Ilustração de Eugênia com expressão triste ao lado de uma folha marcada com diversos itens ‘negado’. Há elementos decorativos ao fundo, reforçando a ideia de dificuldades financeiras.

Com sua renda atual, Eugênia não consegue contribuir com a previdência, e por isso não tem acesso a benefícios mínimos que deveriam ser seus por direito enquanto trabalhadora brasileira.

3 em cada 4 diaristasnão realizam contribuição para a Previdência Social.*

*Dados do Brasil
Gráfico de pizza que mostra a porcentagem de diaristas que contribuem para a Previdência Social. A fatia verde representa 23,6% que contribuem, enquanto a fatia laranja representa 76,4% que não contribuem.
Gráfico de pizza que mostra a porcentagem de mensalistas que contribuem para a Previdência Social. A fatia verde representa 43,8% que contribuem, enquanto a fatia laranja representa 56,2% que não contribuem.

Você sabe a diferença entre uma diarista e mensalista?

Diarista é a profissional que trabalha até duas vezes por semana no mesmo local, sem vínculo empregatício. Já a mensalista, ou empregada doméstica, atua três ou mais vezes por semana e, pela Lei Complementar 150/2015, tem direito à carteira assinada, férias, 13º salário e FGTS.
Fonte: DataCuidados - Observatório Nacional dos Cuidados, Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS); Escola Nacional de Administração Pública (ENAP); Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); com dados de IBGE - Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual - 5ª visita - 2022.
Ilustração de Eugênia lavando pratos enquanto seu marido, que poderia ajudá-la, está sentado no sofá e lê um livro sorridente. Ela parece cansada, e elementos decorativos coloridos aparecem ao fundo.

Eugênia tem um marido, que está desempregado. Mas, ainda assim, é ela quem faz a maioria dos trabalhos domésticos na sua casa.

Na Bahia, mesmo as mulheres que possuem emprego fora de casa trabalham mais tempo em atividades dos cuidados domésticos do que homens que estão desempregados!

Chamamos de Mulheres desempregadas o que a PNAD classifica como “mulheres desocupadas”.
Gráfico de barras verticais comparando as horas semanais dedicadas às atividades de cuidados por mulheres e homens, empregados e desempregados. As barras roxas representam mulheres: desempregadas dedicam 25,9 horas e empregadas, 19 horas por semana. As barras laranja representam homens: desempregados dedicam 12 horas e empregados, 10,3 horas por semana.
Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Anual 2022.
Ilustração de Eugênia guiando um menino branco com deficiência visual, que usa bengala e óculos escuros. Há elementos decorativos coloridos e um quadro ao fundo.

A família com quem trabalha possui uma criança com deficiência visual. Na prática, além de cuidar da casa, Eugênia precisa cuidar da criança. Por isso, ela trabalha muito mais do que o permitido por lei, por vezes dormindo no local de trabalho.

Tanto na Bahia quanto no restante do Brasil, os trabalhos dos cuidados remunerados e não remunerados são realizados, na sua esmagadora maioria, por muitas Anas e Eugênias: mulheres negras e pobres.

O cuidado é essencial para a vida e para o funcionamento da sociedade, mas continua sendo pouco valorizado e quase invisível. Por estar ligado ao espaço doméstico e às mulheres, é visto como uma responsabilidade privada, e não como um dever coletivo. Isso impacta diretamente na vida das mulheres, especialmente negras e migrantes, já que são elas que realizam o trabalho do cuidado aumentando sua vulnerabilidade, exclusão social e prejudicando sua saúde mental.
Fotografia em preto e branco de uma jovem mulher negra careca, em posição frontal, com os braços cruzados e expressão firme. Ela usa blusa de alças com estampa floral. Ao fundo, há formas abstratas coloridas em tons de verde, roxo, rosa e laranja, criando contraste com a imagem.
De um lado,
cuidadoras invisibilizadas...
... do outro lado, a população que necessita de cuidados.Montagem em preto e branco de uma idosa negra, de longos dreads, sentada em uma cadeira de rodas. Na composição, aparecem relógio e formas abstratas coloridas e parte de um olho humano em destaque, representando a atenção que as cuidadoras dão a grupos vulneráveis e prioritários.

Cuidado é uma necessidade de todas as pessoas:

Ao longo da vida, todas nós precisamos de cuidados — em diferentes formas e intensidades. Somos mais vulneráveis na infância e na velhice, fases em que essa necessidade se torna mais evidente. Mas, para além do ciclo da vida, há também fatores que aumentam essa demanda, como deficiências, enfermidades ou condições sociais que limitam o acesso à autonomia e ao bem-estar. Como destaca Helena Hirata (2022), a pandemia de COVID-19 tornou visível a “vulnerabilidade constitutiva do ser humano” — lembrando-nos de que o cuidado não é exceção, mas parte essencial da nossa condição e da interdependência que nos define.

Cuidado deve ser um bem público coletivo

Cuidado é direito universal. Tanto quem cuida, quanto quem é cuidado, possuem direitos que devem ser garantidos pelo governo.
Montagem em preto e branco de uma mulher negra levantando o braço direito com o punho fechado e de luva de limpeza, em gesto de força. Ela veste uma blusa de alças estampada. Ao fundo, há formas abstratas coloridas em tons de verde, roxo, rosa e laranja.
Os cuidados devem ser zelados por políticas públicas que contam com apoio de dados para a sua formulação.
Vamos juntas para que essa mudança seja efetiva!Para ver mais informações dos cuidados na Bahia acesse a página de dados.Conhecer os dados do Estado Bahia