
O que é o Bahia Cuida
É Uma iniciativa pioneira que nasce com o propósito de orientar a territorialização da Política Nacional de Cuidados (PNC), tendo a Bahia como o primeiro território e articulação. Criado em 2024, o projeto é fruto da colaboração entre três organizações do terceiro setor: ADR Sul da Bahia, Instituto Foz e Instituto ORI:ORO. Essas instituições se uniram com a missão de fortalecer a agenda dos cuidados no Brasil, conectando dados, políticas públicas e práticas locais.
O projeto atua em duas grandes frentes complementares. A primeira é a criação de um observatório de dados sobre os cuidados em suas múltiplas dimensões — saúde, educação, segurança, assistência social, economia do cuidado não remunerado e redes comunitárias. Esse observatório busca reunir e analisar informações qualificadas para subsidiar a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.
A segunda frente é a articulação com governos locais do estado da Bahia, especialmente em municípios do sul do estado. O objetivo é descentralizar a Política Nacional de Cuidados, fortalecendo sua implementação nos níveis regional e municipal. A iniciativa parte do reconhecimento de que o cuidado é uma dimensão essencial da vida social, econômica e comunitária — e que precisa ser compreendido, reconhecido e valorizado nas políticas públicas.
Atualmente, o Bahia Cuida concentra suas ações na região sul da Bahia, com atuação direta no município de Ilhéus, onde vem construindo uma rede de colaboração com diferentes órgãos da gestão pública e com as comunidades locais.
Idealização e Realização


Apoio


Parceria Local


Quem somos
A Agência de Desenvolvimento Regional (ADR) Sul da Bahia é uma organização sem fins lucrativos que contribui para o desenvolvimento sustentável dos municípios do Sul da Bahia por meio de iniciativas multissetoriais e parcerias estratégicas para alavancar e concretizar o potencial social, econômico e ambiental da região. Trabalhamos junto a gestores públicos no fortalecimento de políticas e na eficiência da gestão, com empresas e instituições privadas comprometidas com o desenvolvimento local e a responsabilidade social, e com a sociedade civil na construção de soluções que respondem às necessidades do território.
O Instituto Foz é uma organização não governamental e sem fins lucrativos que apoia governos e organizações da sociedade civil a fortalecerem os direitos de meninas e mulheres no Brasil. Provocamos mudanças na construção de políticas públicas para que todas, em sua diversidade, possam ter seus direitos assegurados. Acreditamos que assim alcançaremos um mudo mais justo e uma sociedade mais igualitária.
O Instituto ORI:ORO é um instituto que trabalha com o desenvolvimento e implementação de tecnologia de interesse público, composta por uma equipe com mais de 15 anos de experiência em desenvolvimento de software. A ORI:ORO acredita na produção de tecnologias em código aberto como uma via importante para a democracia, transparência, segurança, colaboração, ampliação de uso e inovação de soluções tecnológicas pelo país.



Objetivos
O Bahia Cuida tem como principal objetivo utilizar dados qualificados para apoiar a formulação e a implementação de políticas públicas intersetoriais relacionadas ao cuidado nos territórios brasileiros. A iniciativa busca promover um novo olhar sobre o cuidado, reconhecendo-o não apenas como uma necessidade individual, mas como um pilar de sustentação da sociedade.
Entre as metas centrais do projeto estão:
O público usuário principal do observatório do Bahia Cuida são gestoras e gestores que atuam em temáticas de gênero e dos cuidados, além de pesquisadoras/es sobre o tema dos cuidados. Já o público atingido pelas ações de toda a iniciativa do Bahia Cuida é diverso, englobando tanto quem cuida quanto quem é cuidado. No grupo de quem cuida, temos as cuidadoras não-remuneradas e profissionais remuneradas, além do público prioritário da Política Nacional de Cuidados: crianças, adolescentes, pessoas com deficiência e idosos.
Construção coletiva
Desde o seu início, o Bahia Cuida se caracteriza como uma construção coletiva, resultado da soma de esforços de diversas instituições, especialistas e gestoras públicas comprometidas com a agenda do cuidado. O projeto foi contemplado pelo edital Mover-se na Web, uma iniciativa do NIC.br e do Ceweb.br, que disponibilizou os recursos necessários para viabilizar a primeira etapa de desenvolvimento da plataforma digital do observatório. Esse apoio financeiro também tornou possível toda a articulação institucional com o município de Ilhéus, fortalecendo as bases para a implementação local da Política Nacional de Cuidados.
Além dos recursos financeiros, a construção conceitual e metodológica do Bahia Cuida foi realizada de forma colaborativa, reunindo especialistas e pesquisadoras da temática dos cuidados. Essa diversidade de perspectivas contribuiu para definir as frentes de atuação, os eixos temáticos e a linguagem do projeto, garantindo que ele refletisse tanto o rigor técnico quanto a sensibilidade social necessária para abordar o cuidado em sua complexidade.
No território, a atuação do Bahia Cuida também se dá por meio de articulação direta com o poder público municipal. Em Ilhéus, a iniciativa conta com a parceria ativa de cinco secretarias — Saúde, Educação, Cultura, Assistência Social e Mulheres —, que participam conjuntamente do planejamento e execução das ações. Essa cooperação intersetorial é um dos pilares da metodologia do projeto, assegurando que as políticas e práticas voltadas ao cuidado sejam integradas, coerentes e sustentáveis.


Metodologia geral da iniciativa
A pesquisa foi conduzida de forma integrada, articulando diferentes dimensões do cuidado. Ela reuniu simultaneamente: 1) o mapeamento de equipamentos públicos de cuidado; 2) a análise do perfil socioeconômico pessoas cuidadoras e as vulnerabilidades que enfrentam; e 3) o estudo das populações prioritárias, elencadas na lei da Política Nacional de Cuidados (PNC), a saber: crianças, adolescentes, pessoas idosas e pessoas com deficiência (PCD). O levantamento de dados evidenciou as lacunas na oferta pública de serviços, revelando a omissão e a insuficiência das esferas estatais na garantia do direito ao cuidado. Ao articular essas dimensões, o estudo expõe como a ausência de políticas públicas estruturadas agrava a sobrecarga sobre as cuidadoras e amplia as desigualdades no acesso aos cuidados essenciais.

A metodologia do Bahia Cuida combina análise de dados, escuta social e cooperação intersetorial para compreender e fortalecer a agenda dos cuidados nos territórios. A iniciativa parte de uma abordagem territorial, reconhecendo que as práticas e políticas de cuidado se expressam de forma diversa em cada município e demandam soluções construídas a partir do diálogo entre poder público, sociedade civil e iniciativas comunitárias.
A implementação segue três etapas complementares. A primeira consiste no levantamento e sistematização de informações sobre políticas, programas e dados públicos relacionados às dimensões do cuidado — saúde, educação, assistência social, cultura e economia do cuidado. A segunda envolve a articulação institucional e comunitária, com reuniões, oficinas e rodas de diálogo entre secretarias municipais e organizações locais, voltadas à construção coletiva de diagnósticos e estratégias. Por fim, a terceira etapa dedica-se à análise integrada, com a produção de indicadores, painéis e informações que subsidiem a formulação de políticas públicas baseadas em evidências.
O processo é conduzido de forma participativa, com ênfase na intersetorialidade, na transparência e no fortalecimento das capacidades locais. Essa metodologia garante que o Bahia Cuida não apenas produza dados, mas também fomente aprendizados, redes e políticas sustentáveis no campo dos cuidados.
Metodologia de dados
A pesquisa realizada para a coleta e análise dos dados apresentados no Observatório seguiu uma metodologia quantitativa descritiva de dados públicos secundários relacionados às diferentes dimensões do cuidado.
Como primeiro passo, a partir de uma revisão da literatura sobre o tema, elaboramos uma versão inicial de uma matriz de indicadores capaz de mensurar a situação do cuidado no estado da Bahia. Essa matriz organizou os indicadores em quatro eixos, tomando como referência a Política Nacional de Cuidados: direito ao cuidado, direito a cuidar, direito ao autocuidado e economia do cuidado. Este último eixo foi incorporado pela equipe de pesquisa, considerando a relevância de dar visibilidade a uma dimensão historicamente invisibilizada.
Em seguida, realizamos uma oficina de validação da matriz, com a participação de atrizes de diferentes setores que atuam direta ou indiretamente na temática do cuidado, incluindo academia, setor público e sociedade civil. As contribuições das participantes foram incorporadas, resultando na versão final da matriz de indicadores.
Com base nessa matriz, desenvolvemos uma etapa de pesquisa e mapeamento de dados secundários disponíveis em bases públicas, priorizando a obtenção do maior volume possível de informações, com desagregação em nível municipal e por raça e gênero. Posteriormente, realizamos a coleta, limpeza e análise descritiva dos dados, utilizando softwares de estatística (R) e Excel. Para a coleta e análise específica dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), produzidos pelo IBGE, utilizamos os pacotes PNADcIBGE e survey no R, com o script disponível aqui.
Nesta etapa, foi necessária a definição das profissões consideradas como ocupações de cuidado. Para isso, nos fundamentamos no trabalho de Guimarães e Pinheiro (2023), no qual as autoras identificam mais de 70 ocupações relacionadas ao cuidado, listadas na Classificação Nacional de Ocupações para Pesquisas Domiciliares (COD). Essa identificação se baseia em uma tipologia que considera três dimensões: (1) o contexto em que as relações de trabalho ocorrem (doméstico ou não doméstico); (2) o tipo de interação entre trabalhador e beneficiário do cuidado (direta ou indireta); e (3) a necessidade de continuidade do cuidado (recorrente ou não recorrente).
Considerando as limitações de pesquisa deste Observatório, incluímos em nossas análises ocupações de cuidado presentes em ambos os contextos (doméstico e não doméstico), com interação direta e indireta, e que envolvem cuidados de caráter recorrente e dependente. Dessa forma, foram consideradas como profissões de cuidado remunerado: (1) profissionais de enfermagem; (2) professores do ensino pré-escolar; (3) educadores para necessidades especiais; (4) profissionais de nível médio da enfermagem; (5) chefes de cozinha; (6) cozinheiros; (7) governantas e mordomos domésticos; (8) acompanhantes e criados particulares; (9) cuidadores de crianças; (10) ajudantes de professores; (11) trabalhadores de cuidados pessoais em instituições; (12) trabalhadores de cuidados pessoais a domicílio; (13) trabalhadores de cuidados pessoais nos serviços de saúde não classificados; (14) guardas de segurança; (15) agricultores e trabalhadores qualificados no cultivo de hortas, viveiros e jardins; (16) condutores de automóveis, táxis e caminhonetes; (17) trabalhadores dos serviços domésticos em geral; (18) outros trabalhadores da limpeza; (19) trabalhadores elementares da jardinagem e horticultura; e (20) ajudantes de cozinha.
A partir dos dados coletados, realizamos as análises descritivas e a criação da versão inicial dos gráficos por meio da plataforma Google Looker Studio, para otimizar o trabalho da equipe.

Próximos passos
Nos próximos meses, o Bahia Cuida seguirá fortalecendo sua atuação no território de Ilhéus, com foco na implementação da primeira versão da página do município de Ilhéus, composto por dados primários fornecidos pelas secretarias municipais parceiras.
A partir dos dados e da articulação realizada, nossa equipa ajudará a identificar potenciais planos e ações intersetoriais dos cuidados que podem ser formulados e implementados junto às secretarias e equipamentos municipais. O objetivo é transformar as formações, os diagnósticos e as articulações realizadas até aqui em ações concretas e sustentáveis, capazes de gerar impactos reais na vida das cuidadoras e das pessoas que demandam cuidados. Além disso, estão previstas novas oficinas territoriais e rodas de diálogo comunitárias, que irão ampliar a escuta social e integrar as vozes da população no processo de formulação das políticas locais de cuidado.
Paralelamente, o projeto se prepara para expandir sua metodologia para outros municípios do sul da Bahia, estimulando a criação de uma rede dos cuidados. Essa expansão envolverá a sistematização das experiências e aprendizados da etapa piloto, a publicação de relatórios e materiais formativos, e o fortale cimento de parcerias com universidades, organizações sociais e instâncias governamentais. Com isso, o Bahia Cuida busca consolidar-se como uma referência nacional em inovação social e política pública do cuidado, inspirando outras regiões do país a desenvolverem iniciativas baseadas em dados, cooperação e valorização dos trabalhos dos cuidados.
Nosso muito obrigada à Organização Gongombira (@gongombira.ong) por ceder o direito de uso da imagem de Mãe Ilza para o projeto Bahia Cuida.

Sobre software livre
O software livre representa um pilar fundamental para a construção de tecnologias mais democráticas, transparentes e sustentáveis. Ao permitir que o código-fonte de um sistema seja aberto, auditável e modificável, ele promove a autonomia tecnológica e o compartilhamento de conhecimento entre pessoas, instituições e territórios. Essa lógica de abertura e colaboração é especialmente importante no contexto das políticas públicas, pois garante que as ferramentas digitais estejam a serviço do bem comum, e não de interesses restritos a empresas ou grupos privados.
Além de favorecer a transparência, o uso de software livre estimula a inovação social e o fortalecimento de comunidades locais de desenvolvimento. Em vez de depender de soluções prontas e fechadas, cada território pode adaptar as tecnologias às suas realidades e desafios específicos. Isso fortalece a capacidade pública de criar, aprender e evoluir de forma contínua — e também contribui para o uso mais eficiente dos recursos públicos, já que as soluções livres evitam custos elevados de licenciamento e podem ser reutilizadas por diferentes instituições.
Outro aspecto central do software livre é seu potencial para ampliar a inclusão digital e a participação cidadã. Ao tornar a tecnologia acessível e aberta, ele possibilita que pessoas e organizações se tornem coautoras de processos tecnológicos e não apenas usuárias passivas. Essa democratização do conhecimento técnico abre espaço para que novas vozes, saberes e práticas — muitas vezes invisibilizadas — façam parte da construção de soluções coletivas e mais justas.
Além de favorecer a transparência, o uso de software livre estimula a inovação social e o fortalecimento de comunidades locais de desenvolvimento. Em vez de depender de soluções prontas e fechadas, cada território pode adaptar as tecnologias às suas realidades e desafios específicos. Isso fortalece a capacidade pública de criar, aprender e evoluir de forma contínua — e também contribui para o uso mais eficiente dos recursos públicos, já que as soluções livres evitam custos elevados de licenciamento e podem ser reutilizadas por diferentes instituições.
Outro aspecto central do software livre é seu potencial para ampliar a inclusão digital e a participação cidadã. Ao tornar a tecnologia acessível e aberta, ele possibilita que pessoas e organizações se tornem coautoras de processos tecnológicos e não apenas usuárias passivas. Essa democratização do conhecimento técnico abre espaço para que novas vozes, saberes e práticas — muitas vezes invisibilizadas — façam parte da construção de soluções coletivas e mais justas.

